[Tag literária] Com certeza deveria

Depois dos terríveis acontecimentos dos últimos dias, pensei em várias coisas para falar aqui, mas o que dizer que ainda não tenha sido dito, né? E para não parecer que quero acesso em cima de uma tragédia como a da Chapecoense #chupaCatracaLivre resolvi falar de algo leve, o melhor refúgio que podemos ter para desopilarmos um pouco além de séries e filmes: livros.

Aproveitei mais uma tag literária que achei por aí para dar mais dicas do que pedir de amigo-oculto / ler nestas férias:

Com certeza deveria ter uma continuação: Conte-me seus sonhos – Sidney Sheldon

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Vários livros de Sheldon vem ganhando continuações através da Tilly Bagshawe, que tem feito um excelente trabalho ao dar prosseguimento a sua obra e aproveitar personagens incríveis como a Tracy Whitney de Se houver amanhã (Em busca de um novo amanhã / Um amanhã de vingança), a família Blackwell de O reverso da Medalha (A Senhora do Jogo), além de outras obras na mesma linha.

Por isso torço muito por uma continuação de “Conte-me seus sonhos”, porque de todos os livros de Sheldon (li todos os romances adultos), esse foi o que teve o final mais surpreendente!

Na história, Ashley Patterson — uma bela executiva que trabalha com a desinibida Toni Prescott e a sensível Alette Peters numa empresa de tecnologia no Vale do Silício — torna-se suspeita de uma série de assassinatos. O mistério aumenta quando a polícia descobre um presente que uma das vítimas enviou para sua colega de trabalho Toni Prescott. As evidências apontam uma ligação entre as três suspeitas: Ashley, Tony e Alette Peters — mas apenas uma delas conhece a verdade.

Com certeza deveria ter um spin-offQuando ela acordou – Hillary Jordan

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Imaginar uma sociedade que julga as pessoas pela cor da pele não é muito difícil, já que temos casos atrozes e verídicos na história da humanidade que mostram isso. Mas imagine marcar uma pessoa com uma cor para que todos saibam qual delito ela cometeu.

É isso que acontece com Hannah Payne, que é condenada a viver como uma vermelha pelo período de 16 anos, por ter feito um aborto.

Pode-se dizer que “Quando ela acordou” é uma versão moderna de “A letra escarlate”, de Nathaniel Hawthorne, ao começar pela semelhança no nome das protagonistas: Hannah Payne (Hester Prynne), um ambiente conservador e religioso (a história de Hawthorne se passa em Salem, no século XVII, colonizada por puritanos vindos da Inglaterra) e o amor por um reverendo que acaba gerando uma criança. Assim como Hester (a diferença é que ela teve a criança), Hannah não entrega o nome do pai de sua filha ao ser julgada, e como punição pelo “crime”, ela tem seu corpo todo pigmentado de vermelho (Hester tem que carregar a letra escarlate “A” bordada em seu peito).

Acho que essa ideia das pessoas literalmente serem julgadas pela cor poderia acarretar numa boa distopia futurística (uma espécie de Fúria Vermelha, mas sem focar em guerra, porque todas as trilogias infanto-juvenis caminham para isso).

Com certeza deveria escrever mais livros: Kate Morton

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Segredos familiares antigos, intrigas, romances deliciosamente bem escritos e cativantes, a gente realmente mergulha nas histórias de Kate e suas descrições das casas antigas, de como acontecimentos passados afetaram as gerações seguintes… recomendo muito qualquer livro dela! Pena que até o momento, apenas quatro foram publicados no Brasil =/

Com certeza deveria ter terminado com alguém diferente: Fanny Price, de Mansfield Park – Jane Austen

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Já falei isso aqui antes, mas repito que esse casal foi forçado, parecendo conformismo do Edmund casar com a prima, depois que percebeu o quão fútil era a mulher pela qual ele estava apaixonado.

E também não engulo relacionamento entre parentes, mesmo que o casamento entre primos fosse absolutamente normal no século XIX. Acho esquisito.

Com certeza deveria ter terminado diferente: Após o Anoitecer – Haruki Murakami

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Já tô me acostumando com os elementos fantásticos e os finais em abertos, mas confesso que fiquei com um odiozinho no coração quando terminei de ler esse livro porque não explicou NADA. Só me deixou com a pulga atrás da orelha, mas ainda assim vale a pena conhecer o autor 😉

Sinopse: Mari Asai é uma garota solitária que abandona a casa dos pais para enfrentar a noite nas ruas de Tóquio. Sua irmã, Eri, modelo de revistas femininas e jovem de sucesso, vive uma situação diferente: dois meses antes, deitou-se para dormir e nunca mais acordou. Enquanto jaz imóvel em sua cama, estranhos eventos acontecem.

 

Com certeza deveria virar um filme:  The Kiss of Deception – Mary E. Pearson

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Romance, reinos em conflito, fugas, mortes… tem todos os elementos para uma super-produção.

Sinopse:  Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro?

Com certeza deveria virar uma série de TV: A Seleção – Kiera Cass

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Se a gente já adora reality show como The Bachelor, imagina então se isso acontecesse num reino com todo o glamour e intrigas entre as participantes?

Sinopse: para trinta e cinco garotas, a Seleção é a chance de uma vida. É a oportunidade de ser alçada a um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha. Para America Singer, no entanto, estar entre as ‘Selecionadas’ é um pesadelo. Significa deixar para trás o rapaz que ama. Abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes. Então America conhece pessoalmente o príncipe e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que nunca tinha ousado imaginar.

Trilogia infanto-juvenil com príncipes e princesas +reinos divididos + guerra+ tretas = COMOAINDANÃOFIZERAMESSASÉRIE?

Com certeza deveria ter somente um ponto de vista: Essa Garota – Colleen Hoover

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Gosto de diferentes pontos de vista num mesmo livro, mas não tenho paciência para essas autoras que reescrevem a mesma história sob outro ponto de vista, sacou? Por isso, “Essa Garota” era totalmente dispensável, porque foi vendido como uma continuação de “Pausa”, mas era “Métrica” sob o ponto de vista do Will + um “epílogo” previsível. AFF!

Com certeza deveria ter uma capa diferente: todos os romances.

Romances com drama tem os protagonistas abraçados na capa, normalmente os atores da adaptação cinematográfica, tipo os do Nicholas Sparks.

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Já se for romance de época, no geral nas capas tem um corpete, sombrinha, luvinha e vestidos rodados (é a tentativa das editoras brasileiras em fazer com que os livros não pareçam pornôs de banca como nas capas originais).

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Os mais apimentados tem a capa escura e acessórios como algemas, máscaras, lingerie, salto alto, lençóis amassados na capa:

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Com certeza deveria ter mantido das capas originais: O Sol é para todos (To kill a mockingbird) – Harper Lee

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Achei essa capa linda, mas a da última edição do Brasil também é! Só p/ não ficar em branco mesmo.

Com certeza deveria ter parado no primeiro livro: After – Anna Todd

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CINCO LIVROS DE 500 PÁGINAS RESUMIDOS A: relacionamento abusivo + mocinha otária + brigas + sexo + brigas + sexo + pitis na família + sexo + pitis na universidade.

A escrita dela é viciante, tanto que eu acabei lendo todos os livros, mas nunca teve história para isso. Em um livro cabia a trama de todos, mas enfim… Agora tem o “Before”, mas p/ mim já deu!

 

Espero que tenha gostado das dicas! E vocês, o que me recomendam?

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Livros sobre viagem no tempo

Se tem um tema que me chama a atenção é viagem no tempo. De como as pequenas ações afetam uma vida inteira e o protagonista se vê forçado a voltar no tempo várias vezes para tentar consertar algo que deu muito errado e vai se encalacrando cada vez mais…

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O que não faltam são filmes e séries sobre isso, por isso que separei alguns livros sobre o tema.

Vamos lá:

O fio da vida – Kate Atkinson 

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Pelo nome parece algum romance para mulheres na menopausa, mas nessa história temos uma protagonista que morre e volta várias vezes (tá mais para reencarnação do que viagem no tempo, mas a ideia é parecida) para matar Hitler!

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Ursula Todd, nascida em 11 de fevereiro de 1910, passa por experiências extremas ao longo de suas vidas e cada vez que retorna, traz em seu subconsciente lembranças passadas que a impedem de cometer alguns erros, levando-a para outros rumos inesperados. De estupro, assassinato, aborto, suicídio até bombardeios, a personagem passa por tudo, e quando acha que ajeitou a sua vida, percebe que uma outra preciosa foi destruída no processo, e recomeça tudo outra vez.

Atkinson mostra que são os pequenos detalhes, as sutilezas, que mais impactam a vida de Ursula e como as suas prioridades mudam, ao perceber a consequência de suas escolhas.

Algumas partes retratando a vida adulta de Ursula estão diretamente ligadas à Segunda Guerra, então, figuras como Eva Braun e Hitler ganham destaque na história, assim como o horror daquela época, o medo constante de bombardeios inesperados e como as muitas vidas de Ursula e de sua família foram atingidas pela guerra, de diferentes formas.

Particularmente, acho que a leitura fica mais rica quando um autor resolve inserir seus personagens em acontecimentos históricos, até porque nos permite conhecer um pouco mais da vida naquela época (1910 – 1945, no caso) e, consequentemente, as principais motivações da personagem em diferentes anos, mas no mesmo período.

É um livro muito bem escrito, recomendo a leitura!

Tempest – Julie Cross

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Esqueça tudo o que você sabe sobre viagem no tempo. Essa frase vai ser repetida pelo menos algumas vezes no decorrer de Tempest, conforme o personagem Jackson for tentando explicar aos seus amigos que pode viajar no tempo.

No início, tudo não passava de uma brincadeira em que seu amigo Adam, um prodígio em ciência, fazia anotações e tentava entender um pouco mais sobre essas viagens, pois, a princípio, Jackson conseguia voltar somente algumas horas no tempo. Porém, isso muda no dia em que vê sua namorada Holly ser baleada, e acaba voltando dois anos antes no tempo, sem conseguir retornar para 2009 para salvá-la. Preso, então, em 2007, Jackson busca respostas sobre seu passado e suas habilidades. O que ele não esperava é que as pessoas que atiraram em Holly, membros de um grupo apelidado pela CIA de “Inimigos do Tempo”, vêm a sua procura para recrutá-lo ou matá-lo.

Numa mistura de “Efeito Borboleta” com “Jumper”, para quem curte não só viagem no tempo, como também as perseguições, aventuras e uma dose de romance envolvidas, Tempest é uma boa pedida.

Encruzilhada – Kasie West 

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Imagine poder visualizar o desenrolar de cenários futuros antes de tomar uma decisão importante? Pois é exatamente esta a habilidade de Addison Coleman, protagonista de “Encruzilhada”: a de Investigar Destinos. Vivendo num Complexo Paranormal, onde cada um possui diferentes habilidades, Addie se depara com a situação de ter que escolher entre viver com seu pai ou sua mãe quando estes resolvem se divorciar.

Porém, com o divórcio, seu pai decide se mudar do Complexo para o mundo Normal, onde não é possível usar as habilidades e muito menos falar sobre isso com ninguém. Além de ter que escolher com quem viver, Addie também tem que pesar as consequências entre ficar ou viver entre os Normais.

Durante as investigações, Addie visualiza que se ficar com sua mãe, acabará se relacionando com o garoto mais popular da escola Paranormal. E se ela for morar com seu pai, acabará conhecendo Trevor, um garoto com quem logo se identifica. Os dois cenários parecem ótimos a princípio, mas ao investigar mais a fundo, ela percebe que em ambos também haverá cenários de dor e sofrimento. Em qual futuro ela decidirá viver? Embora ela possa escolher, em ambos os cenários há acontecimentos que fogem ao seu controle.

Com um quê de “Efeito Borboleta” (segunda comparação que faço com esse filme porque é um dos meus preferidos xD), “Encruzilhada” fala sobre o impacto de nossas escolhas sobre as outras pessoas e como nem sempre o que é melhor para gente é necessariamente melhor para os que nos cercam…

Obs.: a continuação, “Fração de Segundo”, é ainda melhor!

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Para encerrar, não li os livros, mas recomendo muito a série Outlander! Na história, a inglesa Claire Randall, enfermeira durante a Segunda Guerra Mundial, viaja com o seu marido Frank à Escócia para uma reaproximação após anos separados pela guerra. Entretanto, Claire descobre-se sozinha no ano 1743 pouco após a chegada, durante os levantes jacobitas. Nesse ambiente, ela conhece o jovem guerreiro escocês Jamie Fraser e Jonathan Randall, antepassado de Frank e capitão inglês.

É aquela escolha né: fazer as necessidades no mato, mas ter um Jamie na vida…

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…ou voltar para 1945, para o marido que ela também ama (mas tá longe de ser um Jamie), já tendo carro, energia elétrica e essas coisas básicas?

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Se bem que em 1945 ainda não tinha Netflix…

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Perguntas literárias

Já faz um tempo desde a última vez que falei de livros por aqui, o que é um absurdo já que literatura é a minha paixão. Como o assunto é amplo, tava procurando essas tags da vida e achei essa “perguntas literárias”, o que dá a chance de falar de diferentes livros num mesmo post. Então, vamos lá!

1. Qual a capa mais bonita da tua estante?

Julgo o livro pela capa sim e se tiver um design maneiro e for de capa dura (óbvio que tem que ter uma sinopse interessante), eu compro! Foi assim que acabei descobrindo muitas histórias legais, dentre elas, Menina Má, de William March.

menina-ma

Aliás, a Darkside está arrasando em suas edições! Vão me falir até o final do ano.

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2. Se pudesse trazer um personagem da ficção para a realidade, qual seria?

Mr Darcy de Orgulho e Preconceito

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Por motivos de…

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3. Se pudesse entrevistar um autor (a), qual seria?

Lemony Snicket, que na verdade é o pseudônimo usado por Daniel Handler em “Desventuras em Série”. Iria perguntar TUDO QUE ELE NÃO RESPONDEU EM TREZE LIVROS!

O QUE ACONTECEU COM OS TRIGÊMEOS QUAGMIRE? A MÃE DELES ESTAVA VIVA NO FINAL?

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4. Um livro que você não leria de novo? Por quê?Resultado de imagem para capitu gifs

Não costumo reler livros, pois tenho muitos e como tô sempre comprando mais, prefiro sempre ler algo novo, porém, contudo, entretanto, todavia, escolhi Dom Casmurro porque sou polêmica já fui obrigada a lê-lo e foi um dos livros mais chatos que já li (Só não falo Senhor dos Anéis porque esse nem consegui passar do 1º capítulo)

Acho Machado de Assis chato, ele querer conversar com o leitor me irrita e caguei se a Capitu traiu ou não o Bentinho e não sou obrigada a gostar porque acham suas obras maravilhosas #prontofalei

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5. Um casal?

Catherine e Heathcliff – O morro dos ventos uivantes

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Dois fdps, egoístas e loucos. Adoro casal que foge do convencional. E é um dos meus livros preferidos 🙂

6. Dois vilões.

Demônia Umbridge – Harry Potter

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Lady Macbeth manipulou o marido porque queria mais, ficou louca e todo mundo morreu

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7. Um personagem que você mataria?

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Margo de Cidades de Papel porque fez todo mundo de trouxa e no fundo era só uma rebelde sem causa. O livro teria mais impacto se tivessem achado o corpo dela, sei lá. Aquele final foi beeem fuen fuen

8. Se pudesse viver em um livro, qual seria?

Harry Potter. Óbvio. Quem não queria estudar em Hogwarts? Ia ser da Sonserina com certeza

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9. Qual o maior e o menor livro da sua estante (em quantidade de páginas)?

Um livro em inglês de contos dos Irmãos Grimm que tem mais de mil páginas.

O menor é “O adulto”, um conto da Gillian Flynn, lançado recentemente no Brasil e tem 64 páginas.

 

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Aprendendo a viver

Embora eu não tenha uma religião, não deixo de perceber a importância da fé para encarar a vida. É importante ter um alento, uma resposta, alguma coisa que nos ampare nos momentos difíceis, de reflexão… Às vezes é tudo o que precisamos para seguir em frente.

Às vezes é preciso que alguém constate o óbvio de uma maneira poética para nos dar aquele sacode. Por isso que, às vezes, para mim se torna necessário reler esse texto.

Trata-se de uma das crônicas de Clarice Lispector publicada no Jornal do Brasil, que é como se fosse a minha “Bíblia”. Lá vai:

Aprendendo a viver

Thoreau era um filósofo americano que, entre coisas mais difíceis de se assimilar assim de repente, numa leitura de jornal, escreveu muitas coisas que talvez possam nos ajudar a viver de um modo mais inteligente, mais eficaz, mais bonito, menos angustiado.

Thoreau, por exemplo, desolava-se vendo seus vizinhos só pouparem e economizarem para um futuro longínquo. Que se pensasse um pouco no futuro, estava certo. Mas «melhore o momento presente», exclamava. E acrescentava: «Estamos vivos agora.» E comentava com desgosto: «Eles ficam juntando tesouros que as traças e a ferrugem irão roer e os ladrões roubar.»

A mensagem é clara: não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, pois só na sequência dos agoras é que você existe.

Cada um de nós, aliás, fazendo um exame de consciência, lembra-se pelo menos de vários agoras que foram perdidos e que não voltarão mais. Há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito, há momentos na vida em que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.

Ele queria que fizéssemos agora o que queremos fazer. A vida inteira Thoreau pregou e praticou a necessidade de fazer agora o que é mais importante para cada um de nós.

Por exemplo: para os jovens que queriam tornar-se escritores mas que contemporizavam — ou esperando uma inspiração ou se dizendo que não tinham tempo por causa de estudos ou trabalhos — ele mandava ir agora para o quarto e começar a escrever.
Impacientava-se também com os que gastam tanto tempo estudando a vida que nunca chegam a viver. «É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos que começamos a saber.»

E dizia esta coisa forte que nos enche de coragem: «Por que não deixamos penetrar a torrente, abrimos os portões e pomos em movimento toda a nossa engrenagem?» Só em pensar em seguir o seu conselho, sinto uma corrente de vitalidade percorrer-me o sangue. Agora, meus amigos, está sendo neste próprio instante.

Thoreau achava que o medo era a causa da ruína dos nossos momentos presentes. E também as assustadoras opiniões que nós temos de nós mesmos. Dizia ele: «A opinião pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos.» É verdade: mesmo as pessoas cheias de segurança aparente julgam-se tão mal que no fundo estão alarmadas. E isso, na opinião de Thoreau, é grave, pois «o que um homem pensa a respeito de si mesmo determina, ou melhor, revela seu destino».

E, por mais inesperado que isso seja, ele dizia: tenha pena de si mesmo. Isso quando se levava uma vida de desespero passivo. Ele então aconselhava um pouco menos de dureza para com eles próprios. O medo faz, segundo ele, ter-se uma covardia desnecessária. Nesse caso devia-se abrandar o julgamento de si próprio. «Creio», escreveu, «que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força.» E repetia mil vezes aos que complicavam inutilmente as coisas — e quem de nós não faz isso? —, como eu ia dizendo, ele quase gritava com quem complicava as coisas: simplifique! simplifique!

Livros para NÃO ler

Olá, amiguinhos

ando meio sumida, mas não é por falta de revolta no meu coração (até porque cada dia surge uma nova), é por falta de tempo mesmo já que o outro site (aquele que dá certo) me consome muito tempo, mas está valendo a pena porque FOI NOVAMENTE INDICADO AO PRÊMIO MAESTRO GUERRA-PEIXE DE CULTURA!

Mas enfim… Lembram da Lei Rouanet, aquela de “incentivo à cultura”? Sim, aquela que chegou a aprovar a captação de R$ 1,35 milhão p/ blog da Bethânia, também aprovou a quantia de R$ 4,1 milhões para a realização de uma turnê de Luan Santana em diversas cidades do país (leia mais aqui), e recentemente aprovou a verba de R$ 356 mil para que a Claudia Leitte lance um livro bilíngue, que terá uma entrevista exclusiva com a cantora, letras e partituras das músicas e fotos inéditas da artista.

Afinal, quem não quer aprender a tocar “lirirrixa timbaleia adala, badala, badala,
rucutum, tan tan, tan”? Ler entrevistas com declarações incríveis como, de uma pessoa muito bem informada, que já falou que “Lúpus é uma doença bizarra”, “Gosta de gays, MAS…”, domina tão bem a língua portuguesa e a literatura que não sabe a diferença entre jurar e prometer (“Não fui eu não, gente. Eu prometo!”), atribui uma frase de Fernando Pessoa (“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”) a Saint-Exupéry (nunca leu o Pequeno Príncipe, Claudia? Logo o único livro que até quem não lê, já leu!)?

Vacina para a zika? Que nada! O Brasil precisa mesmo é de um livro da Claudia Leitte! (Se ainda fosse da Ivete…) Vai ser uma disputa ferrenha entre ela e Androgel Urach por uma vaga na Academia Brasileira de Letras, né não?

Inspirada nessa notícia, eis uma lista com outros livros para NÃO ler (peguei as dicas no quadro do Jimmy Fallon, “Do not read”):

A small book of random numbers (o pequeno livro dos números aleatórios)

livro 1

Sinopse: esse livro contém uma lista de números aleatórios, organizados em três colunas de 5 dígitos. Pessoas criativas que gostam de fazer uso da sorte em seus trabalhos vão achá-lo uma fonte conveniente de números aleatórios.

85963  41274  21146 Me chama de escritora e me publica!

Pela Amazon, você consegue ler cinco páginas dessa obra incrível! O problema é a curiosidade para saber o que vem depois do 15570…

The best places to pee (os melhores lugares para mijar fazer xixi)

livro 2

Sinopse: a SEGUNDA edição de “Melhores lugares para fazer xixi” é uma mistura criativa do guia tradicional de viagem com o os 61 banheiros mais fabulosos de Portland. Cada um dos 61 lugares mostrados no livro revela partes do passado de Portland assim como os lugares de tendência e atuais dignos de nota.

Pelo nome eu achava que tinha que ser lugares diferentes, como a moita da rua X, a caixa atrás da lanchonete Y, mas só incluem privadas em banheiros “luxuosos” (ou seja, devem ter papel para se limpar E secar a mão)? Só acho que não vira best-seller por ter um nicho específico demais: pessoas com incontinência urinária que viajam e/ou vivem em Portland.

Learning to play with a lion’s testicles (aprendendo a brincar com testículos de leão)

livro 4

Descrição: para o leitor que já sonhou em ir à África ou conhece a dor da perda e da culpa, “Aprendendo a brincar com testículos de leão” vai preencher sua alma.

Não sei se o livro é sobre uma aventura na África com um que de zoofilia e um desejo suicida… Tá certo que não tá fácil p/ ninguém, mas daí a apelar p/s leões acho que já é um pouquinho demais…

How to avoid huge ships (como evitar grandes navios)

livro 3

Descrição: 99 páginas com instruções, diagramas e tabelas.

Resumo para vocês em 8 palavras: não vá ao porto. Não faça um cruzeiro.

Dating for under a dollar (encontros com menos de 1 dólar) 

livro 5

Definição: também conhecido como “saindo com um mão-de-vaca”, é um livro para adolescentes, jovens adultos ou qualquer pessoa que esteja procurado por encontros criativos que não custem muito dinheiro como levar para comer num podrão, ou um dia de cinema em que todo mundo paga-meia e dividir uma coxinha depois da sessão, passear na pracinha e se pegar no banquinho ao lado de onde os mendigos dormem. Em tempos de crise, pode ser útil!

 

A geração que pouco lê, e tudo compartilha

Num mundo onde os relacionamentos foram reduzidos a likes e a mensagens de texto curtas e objetivas, tenho a impressão de que o que sobrou da poesia foram fragmentos compartilhados nas redes por aqueles que estão com dor de cotovelo e que as usam como indiretas.

Com o hábito de lermos cada vez menos (quantos likes você já deu sem ao menos clicar num link para ler o texto/notícia?), a gente curte uma estrofe, no máximo, um parágrafo, em vez de se regozijar com o todo; a gente compartilha “O essencial é invisível aos olhos” ou “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” sem ao menos ter lido “O Pequeno Príncipe”. Somos a geração que pouco lê, e tudo compartilha.

Mas hoje isso vai mudar! Pelo menos aqui… Selecionei algumas poesias completas, para serem lidas do início ao fim, sem moderação!

E começo pela poesia mais linda da língua portuguesa, de ninguém menos que Fernando Pessoa!

Não digas nada!

(se você não entendeu esse gif, bom p/ vc!)

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender –
Tudo metade
De sentir e de ver…
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada…
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Memória – Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Bem no fundo – Leminski

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Alone – Edgar Allan Poe

(em inglês mesmo, porque traduzi-lo, mataria o texto)

From childhood’s hour I have not been
As others were; I have not seen
As others saw; I could not bring
My passions from a common spring.
From the same source I have not taken
My sorrow; I could not awaken
My heart to joy at the same tone;
And all I loved — I loved alone.
Then in my childhood, in the dawn
Of a most stormy life was drawn
From every depth of good and ill
The mystery which binds me still;
From the torrent, or the fountain,
From the red cliff of the mountain,
From the sun that ’round me rolled
In its autumn tint of gold,
From the lightning in the sky
As it passed me flying by,
From the thunder, and the storm,
And the cloud that took the form
(When the rest of Heaven was blue)
Of a demon in my view.

 

O pornô feminino

Capas pretas, algemas felpudas, sapatos de salto, homens fortes, lençóis… Estas imagens aliadas a frases no imperativo são cada vez mais comuns nas prateleiras de best-sellers de todas as livrarias, desde que 50 Tons de Cinza foi lançado.

Além da tendência editorial ditada pela obra de E.L. James, já se foi época em que as mulheres compravam “Sabrina” às escondidas nas bancas. Elas agora são o público-alvo principal destas novas autoras que brotam mais que chuchu na cerca.

Esses livros se tornaram o pornô feminino. Sim, pornô, pois enquanto os homens se excitam ao verem um filme bem explícito, já que são seres visuais; as mulheres são imaginativas, ou seja, parte do prazer está em imaginar o personagem e cada cena conforme suas fantasias. E isso explica o grande sucesso dessas obras.

Mas, vocês, leitoras, estão perdendo tempo! Poderia ser você a estar ganhando rios de dinheiro, afinal, não é difícil bolar uma história de sucesso…

Para começar, seu protagonista tem que ser um deus grego, milionário, sedutor, irresistível, bom de cama, não querer se comprometer, maaaas só ter olhos para sua mocinha.

Sua mocinha obrigatoriamente tem que ser insegura, otária, sem graça, inexperiente, inocente e, de preferência, chorar bastante.

No decorrer da história, ela/ele tem que encucar com algo absolutamente idiota, remoer isso e agir estranhamente até tomar coragem para conversar sobre isso. O motivo pode ser algum trauma de infância, de relacionamentos passados ou insegurança, não importa. Mas no meio tempo, eles terão várias briguinhas menores por causa de atitudes que um tem em relação ao outro na tentativa de disfarçar o sentimento  que eles tanto relutam em ter.

Claro, que não podem faltar diálogos picantes para deixar qualquer mulher derretida e facilmente entregue.

E nas cenas tão esperadas, é importante ser criativa e saber muitos sinônimos para as genitálias.

É imprescindível que se use as palavras: intumescido, olhar de veneração, sorriso malicioso, rigidez, lábios entreabertos, sofreguidão, trêmula, arrepios, movimentos frenéticos, grito silencioso, arfar, remexer, contorcer, deslizar, respiração quente, dedos lentos e provocantes, estômago queimar, pegar fogo, e por aí vai… Seguindo essa linha, não tem erro!

Bônus: se a história for ambientada em séculos passados, com toda aquela história de ir “contra a moral e os bons costumes”.

Crédito: Dale Stephanos
Crédito: Dale Stephanos

 

Mais alguma dica?

O significado das palavras segundo as crianças

2014 chegou e já posso começar a postergar minhas novas resoluções! \o/

Embora a gente saiba que essa “mudança” seja meramente ilusória e calendária (neologisei agora. Ops, I did it again! Ok,  agora chega de palhaçada!), não podemos evitar nos sentirmos um pouco esperançosos e, porque não, renovados p/ começar mais um ano de muito trabalho e pouco dinheiro… Mas não é só o cansaço aliado à falta de grana que causa descontentamento.

Acredito que a principal razão do sofrimento é a tendência que temos a complicar tudo, parece que conforme vamos envelhecendo, vamos perdendo a objetividade e começamos a ter mais dificuldade para enxergar as coisas simples simplesmente, como fazem as crianças.Talvez não fiquemos mais sábios, apenas mais confusos. Talvez.

Amor. Eternidade. Morte. Vida. Tempo. São palavras tão presentes e tão difíceis de se definir, né? Poetas, ao tentarem, nos presentearam com lindas palavras que podem chegar até perto, mas ao ler a definição de crianças no livro “Casa das Estrelas”, de Javier Naranjo, não pude deixar de sorrir e achá-las bem mais elucidativas do que qualquer coisa que já tenha lido. Talvez menos seja mais. Talvez. E talvez não sejam tão profundos como belos sonetos, mas são mais sinceros e espontâneos.

Querem ver?

Para Lina María Murillo, 10 anos, “amor é o que cada coração reúne para dar a alguém”. Simples e belo, não? Camões ficaria com inveja de tal perspicácia…

Abaixo, selecionei algumas definições que me impressionaram e compartilho aqui com vocês:

(obs: as frases foram reproduzidas exatamente como as crianças as escreveram, por isso a ausência de vírgulas e alguns errinhos.)

Adulto – pessoa que em toda coisa que fala, vem primeiro ela. (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)

Amor – é quando batem em você e dói muito. (Viviana Castaño, 6 anos)

Ancião – quando os anos de alguém vão embora. (Sandra Liliana Villa, 8 anos)

Ausência – é quando eu vou morrer. (Yorlady Rave, 8 anos)

Branco – é uma cor que não pinta. (Jonathan de Jesús Ramírez, 11 anos)

Calor – é uma coisa que faz a gente ver até o diabo. (Juan Esteban Buitrago, 9 anos)

Céu – de onde sai o dia. (Dúvan Arnulfo Arango, 8 anos)

Corpo – o corpo é a vida de alguém, porque alguém sem corpo faz o quê? (Luisa Fernanda Velásquez, 8 anos)

Criança – quando nasce é pequenininho e quando cresce um pouquinho e não sabem seu nome chamam de menino. (Daniel Jaramillo, 7 anos)

Deus – é uma pessoa que dirige a gente com controle remoto como se a gente fosse seu escravo. (Juan Esteban Ramírez, 9 anos)

Dinheiro – coisa de interesse para os demais com a qual se faz amigos, e não ter isto se faz inimigos. (Ana María Noreña, 12 anos)

Distância – alguém que se vai de alguém. (Juan Camilo Osorio, 8 anos)

Espaço – é o que sobra para se colocar. (Juan Rafael Trelles, 10 anos)

Espelho – é onde olho minha beleza. (Mary Sol Osorio, 9 anos)

Espírito – é o segundo corpo que vive na morte. (Andrés Correa, 9 anos)

Eternidade – um poço que não tem fundo. (Glória María Hidalgo, 10 anos)

Família – lugar onde tem muita discussão e se amam. (Alejandra Giraldo, 10 anos)

Guerra – gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz. (Juan Carlos Mejía, 11 anos)

Igreja – onde as pessoas vão perdoar Deus. (Natalia Bueno, 7 anos)

Louco – é como se a mente saísse de série. (Estephanie Montoya, 9anos)

Mãe -nasce, cresce,filho e morre. (Fabián Loaiza, 12 anos)

Medo – é quando minha mamãe dirige um carro e uns senhores que trabalham no encanamento não têm o que comer e quebram o vidro do carro e matal ela e matam meu papai e vivo sozinho. (Orlando Vásquez, 6 anos)

Mistério – quando minha mamãe sai e não me diz pra onde. (Glória María Hidalgo, 10 anos)

Morte – forma de não existir e estar em algum lugar incerto. (Melissa Palacio, 12 anos)

É quando alguém não tem espírito, nem come e isso não tem salvação e está morto e Deus leva o espírito e o coração. A carne fica no corpo no enterro. A carne vai se desfazendo. (Miguel Angel Múnera, 6 anos)

Mulher – um moço que tem muito cabelo. (Juan Pablo Eusse, 8 anos)

Humano que não se pode consertar. (Oscar Alarcón, 11 anos)

Nada – é quando pergunto pra alguém se viu alguma coisa. (Juan Camilo Osorio, 8 anos)

Namorado, Namorada – categoria mais baixa do casamento. (Ricardo Mejía, 10 anos)

Nudez – é quando uma pessoa está nua, é por dois motivos: 1: porque Deus trouxe ela assim pro mundo. 2: porque a pessoa quis tirar a roupa. (Natalia María Hincapié, 11 anos)

Ódio – é algo que por exemplo meu amigo tem pirulito e eu não. (Alexander Chalarca, 8 anos)

Pai – é o que me deu a cosia que tenho no meio das duas coxas. (Simón Peláez, 11 anos)

Paz – quando alguém se perdoa. (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)

Pensamento – é uma forma de agir antes de falar. (Fabián Loaiza, 12 anos)

Poesia – expressão de reprimidos. (Eulalia Vélez, 12 anos)

Político – é uma pessoa que acaba com a gente ou ajuda, depende de sua situação econômica. (Pastor Ernesto Castaño, 11 anos)

Príncipe – vadio da realiza. (Eulalia Vélez, 12 anos)

Sexo – é uma pessoa que se beiha em ciam da outra. (Luisa Fernanda Pates, 8 anos)

Trabalho das putas. (Mateo Ceballos, 6 anos)

Solidão – para mim é quando a gente pensa na vida. (Wilson Ferney Rivera, 8 anos)

Sonhos – que os colégios não existam, que a gente nasça com mente pra saber tudo. (María José García, 8 anos)

Tempo – é uma coisa que faz a gente demorar. (Juliana Bedoya, 7 anos)

O que corre sobre a vida. (Lina María Murillo, 10 anos)

Tranquilidade – por exemplo o papai dizer que vai bater em você e depois dizer que não vai mais. (Blanca Yuli Henano, 10 anos)

Vazio – sem ninguém dentro. (Mauricio Osorio, 7 anos)

Vida – é tudo, é o tempo que estamos manifestados. (Melissa Palacio, 12 anos)

Violência – parte ruim da paz. (Sara Martínez, 7 anos)

* Não se preocupem que no livro tem muito mais definições e ilustrações belíssimas da Lara Sabatier. Recomendadíssimo pela ternura e sabedoria em cada frase ^^

Por enquanto é isso…

Let 2014 begin!

A culpa é do John Green

Há tempos que o Nicholas Sparks vem desentupindo as glândulas lacrimais das mulheres com suas histórias de amor melosíssimas, que sempre contam com uma morte trágica (de uns tempos p/ cá, as vítimas tem sido os personagens secundários ao invés de um dos protagonistas) e um final agridoce. Tais livros rapidamente viram filmes e as novas edições das histórias são lançadas com os atores nas capas sempre na mesma posição: um de frente p/ outro se olhando prestes a se beijar ou se abraçando.
A fórmula é a mesma desde sempre, e não estou aqui p/ criticá-la, afinal eu mesma já solucei lendo “Uma carta de amor” ou vendo “Um amor para recordar” e “O diário de uma paixão”, mas me parece que a popularidade do escritor aumentou expressivamente de uns tempos para cá. Nunca vi tantos livros dele em destaques nas livrarias, e o “rebuliço” que ele causou na Bienal corrobora para tal observação.  Mas por que comecei falando dele?
Porque me parece que John Green vai para o mesmo caminho, só que trazendo protagonistas adolescentes inclinados à melancolia e à reflexão. Seus personagens apaixonados costumam usar metáforas para expressarem seus medos, angústias, incertezas e reflexões quanto a morte. Provavelmente por isso que, por serem jovens e dispostos a viver intensamente, suas histórias também trazem um pouco da inconsequência típica da idade, remetendo aquela ideia de “carpe diem”, com viagens com amigos e coragem para fazer certas coisas das quais os protagonistas não fariam senão estivessem motivados por suas paixões e a vontade de criar momentos inesquecíveis. Pelo menos foram esses os pontos comuns que notei nos três livros que li.
Mas vou acabar sendo obrigada a apelar para os clichês e dizer que vocês vão rir e se emocionar com suas histórias. E provavelmente muitos vão chorar também… E é tudo culpa do John Green!
Para quem ainda não conhece, eis os livros do autor:
Quando o personagem de uma história tem câncer, normalmente o desenrolar da história mostra as dificuldades impostas pela doença além da associação da velha ideia, difundida exaustivamente, de “carpe diem” (como disse acima). Assim, ao receber um diagnóstico que lhe dá pouco tempo de vida, ele começa a “viver pela primeira vez” e a dar valor às pequenas coisas, etc.

Embora no fundo, “A culpa é das estrelas” mostre isso também, o livro é melancólico beirando ao pessimismo em muitas partes, dando um “choque de realidade” de vez em quando, como neste pedaço:

“Vai chegar um dia em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá. Deus sabe que é isso que todo mundo faz.”

Embora o tema não seja leve, John Green não apela para um dramalhão e no decorrer da leitura, faz referências a poemas como Nothing gold can stay de Robert Frost até à hierarquização de necessidades de Maslow, tornando a leitura rica.

O livro fictício “Uma aflição imperial” dá um toque especial e gera as reflexões mais belas dentro da história. Fiquei até com vontade de lê-lo.

E a história de Hazel e Gus vai virar filme. Preparem os lencinhos!

Sinopse: Após seu mais recente e traumático pé na bunda – o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine – Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.

Uma descoberta que vai entrar para a história, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.

-> Achei o mais fraco de Green até o momento, mas é interessante a construção do Teorema e a tentativa de matematizar as relações, ou seja, procurar uma lógica em questões emocionais, o que não deixa de ser um paradoxo, né?
Sensível e cativante, como suas obras anteriores, em Cidade de Papel vemos novamente adolescentes reflexivos, apaixonados e melancólicos que tentam encontrar seu lugar no mundo e tem que lidar com as perdas da transição da adolescência para a fase adulta, da formatura no colégio para o que vem a seguir, que às vezes é algo muito incerto.
Na história, Quentin procura por Margo, sua vizinha e amor de infância, que após uma noite de aventuras com ele (ou seja, de novo aquela ideia de que o “carpe diem” é uma noite de inconsequências como invadir um parque a noite, a casa dos outros, etc), foge de casa, mas como não é a primeira vez que ela faz isso, ninguém sabe quando ela volta e desta vez, se ela vai voltar.
Encontrando pistas deixadas por ela, Quentin sai a procura de Margo numa viagem de carros com os amigos, algo que remete à “On the road” de Kerouac, na esperança de encontrá-la (viva ou morta).
Embora isso possa soar um tanto piegas (e é), às vezes é procurando o outro que nos encontramos e se fica alguma lição para o personagem (e quem sabe, para o leitor) é a percepção que nada acontece como a gente acha que vai acontecer e é preciso se colocar no lugar do outro para entender que, às vezes, mesmo não sendo o ideal (para nós), as coisas são como devem ser e isso significa saber “deixá-las partir”.
É isso, até a próxima!

Não faz sentido – Felipe Neto

Foto: Humberto Souza
Como qualquer pessoa que tenha um mínimo de discernimento e uma opinião mais crítica a respeito de qualquer assunto, principalmente quando se zoa personalidades queridas por uma maioria jovem histérica ou se fala de assuntos polêmicos, a disseminação do ódio e as críticas costumam ser duras, mas o talento e o número de visualizações num vídeo falam mais alto.
Aliás, acredito que grande parte do sucesso de canais como o do Felipe Neto, PC Siqueira e Porta dos Fundos se dá não só pela “cara de pau” (no bom sentido) em falar abertamente e sem papas na língua sobre tudo, como também pela tentativa sempre frustrada de boicote pela parte dos haters. É aquela velha história, “falem mal, mas falem de mim” e esses vídeos que tentam boicotar, sempre acabam sendo os maiores sucessos do canal. Fica a dica,Feliciano!
Voltando ao tema… Falar o que muita gente pensa de forma enfática e repleta de palavrões em um vlog pode ter desagradado alguns falso-moralistasconservadores, mas felizmente Felipe Neto insistiu em seus vídeos e em seu potencial, e o Não Faz Sentido se tornou o primeiro canal em português a ultrapassar a marca de 1 milhão de inscritos.
Eu não lembro qual foi o primeiro vídeo dele que assisti, só lembro que dei muitas risadas e a identificação foi imediata. Logo, no último sábado (17), quando rolou uma tarde de autógrafo lá no Rio Sul, fui lá garantir o meu livro autografado.
Foi a segunda vez que encontrei o Felipe Neto, a primeira havia sido no YouPix do ano passado, e novamente pude perceber um rapaz tímido, porém muito simpático, diferente de seu personagem dos vídeos que parece marrento.
Mas vamos ao livro de sua autoria que acabei de ler…
Embora o livro não tenha a pretensão de ser engraçado, eu dei algumas risadas com a linguagem bem despojada e os comentários entre parênteses ao narrar sua trajetória. Talvez por ser da mesma geração que ele, ter a idade que ele tinha quando começou o Não Faz Sentido há três anos e se encontrava perdido, o livro acaba sendo uma motivação para nós, eternos insatisfeitos com nossas vidas (leia-se profissões) para arriscar.
É interessante que nas aulas (pelo menos nas minhas da faculdade) sempre ouvia sobre a importância de ser pró-ativo, planejar, inovar, enfim, ser um empreendedor e em “Não faz sentido – por trás da câmera”, vemos isso na prática, acompanhando as dores e os dissabores da caminhada para o sucesso.

Fãs ou não do trabalho de Felipe, o livro é muito legal e serve de exemplo para todo mundo que tá cheio de ideias legais na cabeça, mas falta coragem p/ por em prática (e não, não é auto-ajuda). Quem sabe você não acaba criando um novo nicho e novas oportunidades de trabalho como o garoto de 22 anos, que só queria ser ator e que acabou revolucionando o youtube? 
P/ quem não conhece o trabalho dele (provavelmente não tem internet e nem está lendo isso), eis um Top 5 dos melhores vídeos dele (na minha opinião):
Obs: Não tô conseguindo inserir os vídeos aqui, então cliquem nos links.

Crepúsculo 

Carnaval e micareta  -> Porque é o período mais abominável do ano e eu inclusive já falei disso aqui.